Estávamos no início de Setembro. A escola ainda não começara e todas as manhãs, bem cedo, partia à descoberta de novos mundos, sob o olhar livremente atento do meu avô.
Chegamos ao cais. Subimos as gigantescas rochas e caminhamos até ao farol. O vento tenta, em vão, derrubar estes experientes marinheiros que, embora enregelados, não se deixam vencer por qualquer vã tempestade.
A areia beija-me a face rosada. É uma longa caminhada!
As ondas salpicam-me, docemente, os cabelos. Estendo as mãos e tento agarrar, inocentemente, os vestígios ínfimos da brisa …
Descemos um patamar. Vamos agora em direcção aos barcos que, ancorados, esperam ansiosamente pela noite para partirem. O cheiro a óleo mistura-se com a gordura das cordas que, entrelaçadas, servem de repouso, seguro, às bonitas traineiras dos pescadores.
Fito o azul-turquesa da água. Pequenos fios de óleo misturam-se nesta convidativa paleta de cores e tons de ferrugem fundem-se geometricamente, à tona da água, formando pequenos quadros imaginários, embelezados pela luminosidade dos, ainda, dormentes raios de sol.
Deixamos o cais. Estamos agora na marina. Em terra firme pois a maré aqui está vaza. Sentamo-nos no muro de pedra e contemplamos o lilás – azul do céu. Alguns barcos descansam sob a areia dourada. O sol sorri-nos e lá longe – o mar. Praticamente não o vejo, mas apesar da pequenez do meu mundo de criança sinto-o. Fecho os olhos. Deixo o cheiro a óleo conduzir-me nas asas do vento e já lá estou. Lá longe, no mar alto. Conduzo a traineira ao colo do meu avô!
21 de Agosto de 2009
Carla Alves ©
Chegamos ao cais. Subimos as gigantescas rochas e caminhamos até ao farol. O vento tenta, em vão, derrubar estes experientes marinheiros que, embora enregelados, não se deixam vencer por qualquer vã tempestade.
A areia beija-me a face rosada. É uma longa caminhada!
As ondas salpicam-me, docemente, os cabelos. Estendo as mãos e tento agarrar, inocentemente, os vestígios ínfimos da brisa …
Descemos um patamar. Vamos agora em direcção aos barcos que, ancorados, esperam ansiosamente pela noite para partirem. O cheiro a óleo mistura-se com a gordura das cordas que, entrelaçadas, servem de repouso, seguro, às bonitas traineiras dos pescadores.
Fito o azul-turquesa da água. Pequenos fios de óleo misturam-se nesta convidativa paleta de cores e tons de ferrugem fundem-se geometricamente, à tona da água, formando pequenos quadros imaginários, embelezados pela luminosidade dos, ainda, dormentes raios de sol.
Deixamos o cais. Estamos agora na marina. Em terra firme pois a maré aqui está vaza. Sentamo-nos no muro de pedra e contemplamos o lilás – azul do céu. Alguns barcos descansam sob a areia dourada. O sol sorri-nos e lá longe – o mar. Praticamente não o vejo, mas apesar da pequenez do meu mundo de criança sinto-o. Fecho os olhos. Deixo o cheiro a óleo conduzir-me nas asas do vento e já lá estou. Lá longe, no mar alto. Conduzo a traineira ao colo do meu avô!
21 de Agosto de 2009
Carla Alves ©
Foi com enorme agrado que aceitei mais um desafio do meu grande amigo – Nuno de Sousa – e, através da minha escrita, dei voz a mais uma belíssima imagem deste notável fotógrafo. Obrigada Nuno!
NUNO PHOTO`S SPACE
2 comentários:
Obrigado Carla... pelo texto escrito para esta imagem, tens um talento enorme para a escrita e é bom receber os teus textos... obrigado mais uma vez por teres aceite mais este desafio...
Obrigado pela tua amizade.
Bjs grandes e uma boa noite para ti,
Nuno
Olá Carla
Acabei agora de ler um texto escrito por ti, achei-o simplesmente maravilhoso. Ao falares do teu Avô com tanta ternura, fizeste-me lembrar o meu Pai, que tal como tu também adorava o mar.
Obrigada Carla pelo teu "No Cais".
Beijinhos
Eva
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