domingo, 6 de setembro de 2009

No cais …






Estávamos no início de Setembro. A escola ainda não começara e todas as manhãs, bem cedo, partia à descoberta de novos mundos, sob o olhar livremente atento do meu avô.

Chegamos ao cais. Subimos as gigantescas rochas e caminhamos até ao farol. O vento tenta, em vão, derrubar estes experientes marinheiros que, embora enregelados, não se deixam vencer por qualquer vã tempestade.

A areia beija-me a face rosada. É uma longa caminhada!
As ondas salpicam-me, docemente, os cabelos. Estendo as mãos e tento agarrar, inocentemente, os vestígios ínfimos da brisa …

Descemos um patamar. Vamos agora em direcção aos barcos que, ancorados, esperam ansiosamente pela noite para partirem. O cheiro a óleo mistura-se com a gordura das cordas que, entrelaçadas, servem de repouso, seguro, às bonitas traineiras dos pescadores.

Fito o azul-turquesa da água. Pequenos fios de óleo misturam-se nesta convidativa paleta de cores e tons de ferrugem fundem-se geometricamente, à tona da água, formando pequenos quadros imaginários, embelezados pela luminosidade dos, ainda, dormentes raios de sol.

Deixamos o cais. Estamos agora na marina. Em terra firme pois a maré aqui está vaza. Sentamo-nos no muro de pedra e contemplamos o lilás – azul do céu. Alguns barcos descansam sob a areia dourada. O sol sorri-nos e lá longe – o mar. Praticamente não o vejo, mas apesar da pequenez do meu mundo de criança sinto-o. Fecho os olhos. Deixo o cheiro a óleo conduzir-me nas asas do vento e já lá estou. Lá longe, no mar alto. Conduzo a traineira ao colo do meu avô!


21 de Agosto de 2009
Carla Alves
©


Foi com enorme agrado que aceitei mais um desafio do meu grande amigo – Nuno de Sousa – e, através da minha escrita, dei voz a mais uma belíssima imagem deste notável fotógrafo. Obrigada Nuno!
NUNO PHOTO`S SPACE

sábado, 11 de julho de 2009

Osvaldo – O Caranguejo – Marinheiro

Chove torrencialmente. As crianças encostam os rostos tristonhos à janela que espreita, sorrateira, o vasto jardim que rodeia alegremente o blog da Helena.

As árvores tremem agitadamente face ao frio que, impiamente, as pequeninas folhas dos seus ramos parece devorar. Insaciavelmente.

Estamos, contudo, em pleno mês de Julho. As crianças acordaram cedo. Vestiram-se de cor e alegria e por entre baldes, pás, moinhos de vento e tantos outros apetrechos e ternos sorrisos preparavam-se para a sua primeira ida à praia.

Lilly contempla as crianças sentada no conforto do amplo sofá. O cesto com as sandes de queijo e os bolinhos de coco descansa, contrariado, na mesa da cozinha. As bebidas, ainda frescas, tentam aquecer-se dançando sobre a toalha branca com motivos de mar.

Algumas lágrimas rolam sob os rostos incrédulos que colados ao vidro, agora baço, tentam, em vão, avistar ao longe os preciosos raios de sol.

Lilly abre um pequeno livro em forma de concha. Sente-se a maresia invadir a sala. As crianças correm para junto de si e com os olhinhos reluzentes aguardam, impacientes, a história por contar.

Fala de uma praia distante. Um lugar de sonho no qual Osvaldo, o caranguejo – marinheiro, transporta no seu velho barco a remos um grupo de turistas. Ouve-se o canto das sereias que acompanha o bater ritmado das ondas na proa do barco.

As crianças sorriem. Entram no pequeno barco e deixam-se conduzir a uma pequenina praia banhada por búzios e algas multicolores. A água tépida e límpida deixa antever o bailado cronometrado dos inúmeros peixes que, sob as longas caudas, parecem pintar uma tela no fundo do mar.

As crianças sentem o sol bater nas suas faces. O tapete da sala transforma-se num suave areal que conforta os seus pezinhos descalços.

Lilly está radiante. Osvaldo fala dos seus feitos heróicos e alerta as crianças para os segredos escondidos na suavidade das ondas que beijam, docemente, o casco do barco.

O sonho interrompe-se por breves instantes. Batem à porta. Quem será?
Lilly apressa-se, curiosa, e o silêncio irrompe a sala …
A porta está totalmente aberta. O sol invade o amplo espaço e um encorpado caranguejo, em tons de vermelho – fogo, espreita timidamente dizendo:

“Olá. Sou o Osvaldo – O caranguejo – marinheiro. Estava de caminho para casa quando avistei este belíssimo jardim e resolvi espreitar … Posso entrar?”.


Carla Alves ©
10 de Julho de 2009


Espero que gostem deste novo desafio lançado pela Helena (Autora da fotografia que ilustra o texto). Visitem-nos!


Estórias de Bicharocos e Bicharada
http://helenapaixao-estoriasbicharada.blogspot.com/

domingo, 19 de abril de 2009

“Cats” em prol da solidariedade …

Um projecto da Escola Preparatória Pereira Coutinho, em Cascais, de forma a ajudar o IPO de Lisboa.

. http://cats-solidariedade.blogspot.com/

Divulguem e, se possível, contribuam para esta nobre causa,
Carla Alves

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

23º Congresso APPI – The English Classroom Revisited

Aqui vos deixo o link para o site da APPI (Associação Portuguesa de Professores de Inglês) – no qual encontrarão informação detalhada sobre o Congresso, assim como as modalidades / folha(s) de inscrição.


Lisboa – 30/4, 1/5 e 2/5 2009


. APPI
http://www.appi.pt/index.html

. 23º Congresso APPI
http://www.appi.pt/act/congsemin/23cong.htm

INTED 2009 - International Technology, Education and Development Conference

Convido – vos a uma leitura atenta do Programa desta Conferência – a ter lugar em Valência, Espanha, nos dias 09, 10 e 11 de Março do presente ano.

Os objectivos gerais deste evento passam, essencialmente, pela promoção da colaboração internacional nos campos da Educação, Tecnologia e Investigação em áreas (de investigação) diversificadas.


O Programa promete! Vale a pena consultar:

. INTED 2009
http://www.iated.org/inted2009/

. INTED 2009 Programme
http://www.iated.org/inted2009/programme

. INTED 2009 Technical Program
http://www.iated.org/concrete2/technical_program.php?event_id=3

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

O que é a Felicidade?



Felicidade é poder acordar ao relento
Num imenso areal
Sentir a frescura da brisa marítima
Beijar o meu rosto
Procurar na doçura dos finos raios de sol
O calor que revitaliza o meu corpo

Felicidade é correr atrás de um papagaio de papel
Colorido
Tentar voar e não conseguir descolar do chão

Felicidade é avistar ao longe os brancos veleiros
Fechar os olhos e sonhar
Mergulhar nas ondas revoltas do Oceano
Partir à deriva para outro lugar

Felicidade é olhar para ti e sorrir
Tentar esconder o brilho nos meus olhos
E, num gesto precipitado,
Agarrar, com força, a tua mão e fugir

Partir à procura da Felicidade
Por entre o azul deste mar
Vestir – me de verdes – algas
O meu cabelo com pérolas – conchas esculpir

Felicidade é ter – te SEMPRE aqui!

Carla Alves ©
24 de Fevereiro de 2009

Poetizando a essência de mim
http://webfoliando3.blogspot.com/


Este poema foi criado como forma de resposta a um desafio lançado por uma amiga: http://turbulenciasdoblog.blogspot.com/

Espero ter conseguido estar à altura de tão difícil questão!